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Objectivos 2020: Não comprar nada.





Lembram-se dos objectivos que defini para os primeiros 3 meses de 2020?

Não comprar nada (excepto comida e/ou medicamentos), foi o primeiro.

Tal como disse na altura, a intenção era controlar compras por impulso, saber usar e dar valor ao que já tenho e não continuar na onda consumista de estar sempre tudo disponível, a qualquer hora, em qualquer lado...

Honestamente, até agora, não me está a custar absolutamente nada. Cada vez mais ganho consciência de que menos é mais e do que realmente é essencial, dentro dos meus limites de conforto, para viver.

No entanto, abri 3 excepções:

* Comprei 1 camisola de malha em segunda mão, para ajudar uma Associação Zoófila sem fins lucrativos (ACCT - AEZA);

* Comprei suplementos alimentares;

* Comprei bicarbonato de sódio e vinagre de limpeza para continuar a fazer os meus produtos de limpeza caseiros.

Não entrei em nenhum shopping, não fui a nenhuma loja de roupa ou utilidades para casa, nem "aproveitei" os saldos de inverno.

E sabem que mais? Não sinto que tenha perdido nada!

Apesar de ser uma espécie de desafio, um pôr à prova da minha capacidade de  "resistir" ao acto de comprar por impulso, já não o encaro como tal. Na verdade, acho que se pode tornar um hábito, pelo menos, relativamente a determinados tipos de compras que não são necessárias e muito menos essenciais... 

Objectivos para os primeiros 3 meses de 2020



Para mim não há resoluções de ano novo mas sim objectivos. As resoluções tendem a ser inflexíveis e ao mínimo problema, há a tendência de serem esquecidas...

Por isso, decidi Parar, Começar e Continuar a fazer 3 coisas. 


1. Não comprar nada:





Excepto alimentos ou medicamentos.

Este é o meu primeiro objetivo para este ano que vem aí. 

Porquê? 

Porque quero saber viver com o que tenho, porque quero apreciar e valorizar o que tenho, porque quero ser capaz de improvisar e ser criativa, porque quero reprogramar a minha noção de como, quando e porquê comprar.

Quero resistir à urgência de ir às compras só porque me sinto mais em baixo ou porque me apetece ter algo novo, quero deixar de comprar só porque está sempre tudo disponível, a qualquer hora, em qualquer lugar.


2. Fazer um pé de meia:




O objectivo não é poupar X, é criar o hábito de, diariamente ou semanalmente pôr de lado algum dinheiro para qualquer eventualidade.


3. Reorganizar, selecionar, eliminar:





Roupas, papéis, objectos...
Continuar a rever tudo aquilo que já não serve ou já não tem utilidade e que possa ser doado, reutilizado para outros propósitos ou simplesmente descartado.


Balanço da minha jornada.





Quando criei este blog, já tinha começado a simplificar a minha vida, já tinha adotado algumas rotinas mais conscientes e ecológicas e já estava a praticar um estilo de vida o mais simples e minimalista possível.

Mas, desde então, muitas outras coisas foram melhorando, mudando, sendo substituídas e adotadas!

Como sempre disse, esta é uma jornada, as coisas não podem nem devem ser mudadas de um dia para o outro... À medida que as coisas se vão acabando, estragando, envelhecendo, substitui-se por outras mais sustentáveis, ecológicas, duradouras! Com tempo, vamos percebendo o que realmente importa e o que necessitamos para viver, com conforto mas sem excessos!

# O meu guarda roupa ainda está em processo de seleção, muito embora já tenha reduzido o número de peças para metade ou mais...



# Os meus produtos de higiene pessoal ainda não foram todos substituídos por alternativas mais sustentáveis porque ainda os estou a terminar...



# Ainda tenho saquetas de chá, sacos de congelação descartáveis, película aderente e lenços de papel para acabar de usar...



No entanto, decidi partilhar tudo aquilo que já não uso ou compro, e que não irei mais usar/comprar, o que simplificou muito o dia a dia, já para não falar do impacto ambiental mínimo e na poupança imediata ou a longo prazo!

Alimentação:

Legumes pré cortados embalados
Cápsulas de café
Chá em saquetas
Água engarrafada
Comidas pré feitas

Cozinha:

Papel de alumínio
Película aderente
Sacos de congelação descartáveis
Guardanapos de papel
Utensílios de plástico

WC:

Sabonete líquido das mãos
Gel de banho
Shampoo
Amaciador
Desodorizante em embalagem de plástico
Discos de algodão
Cotonetes de plástico
Escovas dos dentes de plástico
Pasta dos dentes em embalagens de plástico
Fio dental em embalagens de plástico
Produtos de higiene feminina descartáveis
Lâminas Descartáveis
Gel depilatório
Lenços de papel
Toalhitas/Papel higiénico húmido
Acetona
Vernizes
Maquilhagem 

Limpeza do lar:

Qualquer produto não ecológico/sustentável ou que possa fazer em casa!

Roupa/Calçado/Malas/Acessórios:

Farei apenas substituições de peças velhas, gastas ou estragadas que não tenham conserto.


Apesar de ficar feliz com estas mudanças, ainda existem algumas questões pendentes, para eliminar, substituir ou adaptar!

* Eliminar: papel de cozinha, luvas vinil descartáveis, "swiffer duster"...

* Substituir: esponjas/esfregões de limpeza, molas da roupa, piaçabas...

* Adaptar: "Estação de Reciclagem". Actualmente uso um saco grande, daqueles reutilizáveis, onde ponho tudo junto e depois seleciono item a item quando vou ao ecoponto... Para simplificar queri arranjar um recipiente repartido, onde possa colocar embalagens/metal, papel e vidro.

A verdade é que, em relativamente pouco tempo, consegui adaptar o meu estilo de vida e as minhas rotinas. Há coisas que levam o seu tempo, como já referi, é uma jornada para a vida, com altos e baixos, mas sempre com força de vontade e determinação para cumprir os meus objetivos!

Indústria Cosmética




A indústria da cosmética move milhões e continua em crescimento, a cada ano que passa.

Novas marcas/empresas mais inovadoras, transparentes e sustentáveis, certificadas e regulamentadas, com sérios compromissos ambientais e ecológicos (além de não testarem em animais), estão a crescer, e ainda bem!

No entanto, o mercado da contrafacção de cosméticos também...  E aí o perigo é enorme!

Não só pelos químicos tóxicos utilizados na sua produção, (reconhecidos agentes cancerígenos, como arsénico e berílio; metais pesados, como chumbo e mercúrio) mas também pelas lesões inevitáveis provocadas na pele,  olhos, lábios... como queimaduras, dermatite por contacto, pústulas, acne, conjuntivite, diversas infecções bacterianas... 

Imensos destes cosméticos, ao serem testados  por equipas profissionais de fiscalização e apreensão, deram ainda positivo para a presença de fezes e urina na sua composição!!!! Assustador.

E sabem que mais? A maioria destes produtos está à venda online. A preços fantásticos. Porque será...

Se quiserem ter uma ideia melhor, vejam o episódio Cosméticos Falsos da série Broken, da Netflix. Podem ver aqui o trailer.

Para terminar, e não só sobre este tema mas em relação a tudo o que se pode comprar, somos nós, os consumidores, que temos o poder de acabar com produtos contrafeitos, adulterados, poluentes, tóxicos... Se não houver procura, não há oferta ;)

Simplificar... A quantidade de produtos de Limpeza!



Quando me tornei responsável pela limpeza da minha casa, tentei seguir mais ou menos a forma como aprendi com a minha mãe. 

Mas, novata nestas coisas, acabei por me deixar levar e acabei por comprar produtos de limpeza para cada canto da casa... 

Era limpa vidros, era multiusos, era desengordurante, era líquido para limpar a placa, era desinfetante, era limpa inox, era limpa frigoríficos, era limpa fornos, era desentupidor de canos, era lixívia pura, era lixívia em gel, era lixívia em spray, era detergente líquido para chão de madeira e outro para chão em tijoleira, era spray para limpar o WC, era gel sanitário, era spray contra bolores, era spray de limpar madeiras, era detergente para roupa escura, para roupa colorida, amaciador, desinfetante para a máquina da roupa, desinfetante para a máquina da loiça... Ahhhhhh!!!!

Simplificar. Foi o que fiz há uns tempos. E aproveitei para escolher produtos mais ecológicos (tirando a lixívia).

Ficou:
  • detergente de loiça manual;
  • pastilhas da máquina da loiça;
  • limpa vidros;
  • multiusos;
  • lixívia pura;
  • detergente líquido neutro p/chão;
  • detergente da roupa universal;
  • amaciador da roupa. 




E chega!

Depois, achei que podia fazer mais, economizar até, e descobri que, apenas com água, álcool, óleos essenciais, detergente líquido neutro, bicarbonato de sódio e vinagre de limpeza a casa fica limpa e a brilhar de cima abaixo!

Fica para amanhã o post sobre o meu armário de limpeza actualmente! Fiquem atentos ;)


Fast Fashion VS Slow Fashion


Hoje vou falar destes dois conceitos que, muito provavelmente, são ainda pouco conhecidos.
Eu também desconhecia, aliás, tinha uma opinião em relação ao rumo que a indústria têxtil e da moda estava a tomar, mas não sabia que existia um lado obscuro. 

O conceito de fast fashion assenta num padrão de produção e consumo, no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados de uma forma muito rápida.

Esta tendência, adoptada por marcas bem conhecidas como a Zara, H&M, Bershka, C&A, GAP, Forever 21, Primark, entre muitas outras, levanta dois grandes problemas: 


  1. O aumento do trabalho escravo em países como o Cambodja, Bangladesh e outros do sudeste asiático;
  2. Questõess relacionadas com sustentabilidade (desperdício de recursos, como a água, grandes emissões de carbono, uso de petróleo, inseticidas e pesticidas em larga escala, utilização de algodão geneticamente modificado...)


As grandes cadeias fast fashion fazem com que, a cada semana, sejam lançadas novas tendências, permitindo ao público alvo "estar sempre na moda". Como as peças são baratas não não são caras e como são de graça qualidade, custa menos aos consumidores descartá-las pouco depois de as comprarem, ainda para mais, muitas das peças perdem a cor, a forma, rasgam ou ganham borboto em poucas utilizações... 


Esqueçam a moda por estações do ano, isso já não existe! 

Porém, há um reverso da medalha, a escolha por uma moda ética e sustentável, conhecida por slow fashion.

Este termo foi utilizado pela primeira vez por Kate Fletcher, num artigo publicado pelo The Ecologist, em 2007 (podem ver aqui o artigo).

Este movimento pretende que nós, como consumidores, sejamos mais conscientes nas nossas escolhas, promovendo atitudes e comportamentos que respeitem as pessoas e o ambiente mas usufruir na mesma de peças bonitas, que ao contrário de outras, respeitam princípios éticos, ambientais e sociais. 

Igualmente importante referir que o movimento slow fashion se associa a um design, produção e consumo menores e melhores, em que a qualidade prevalece sobre a quantidade.

Ao sermos consumidores conscientes, estamos, não só, a ter em conta questões ambientais, mas também a apoiar a promoção de melhores condições de trabalho e o crescimento de negócios mais pequenos e locais.

E, se fizerem bem as contas, acabam por poupar dinheiro. Preferem dar 50€ ou mais por um bom para de calças de ganga ou uma boa camisola de malha, ou ir gastando 10€, 20€ ali e nem uma estação durarem? Eu já fiz esta experiência e os resultados foram o que esperava: calças de ganga a rasgar em locais inesperados ao fim de meia dúzia de meses de utilização e, acreditem ou não, depois de usadas durante nem uma semana e lavadas uma única vez! Zara, Tiffosi... Obrigada pelo dinheiro que as vossas peças não valem!

É difícil mudar hábitos de consumo mas não é impossível, principalmente por questões tão importantes como a poupança do nosso dinheiro, a sustentabilidade e o respeito pelos trabalhadores precários/escravos.

Pensem e repensem na roupa que compram. Comprem porque precisam e façam as melhores escolhas possíveis. Não se deixem levar pelo marketing e publicidade.

Vestir bem não significa estar na moda, significa ter um estilo próprio, que nos define enquanto ser individual e com o qual nós sentimos à vontade.

Como se costuma dizer, uma imagem vale mais do que mil palavras e por isso, melhor do que eu escrevi aqui, este filme - The true cost - explica detalhadamente estes conceitos e o lado obscuro da indústria da moda. Se puderem, vejam!



Nota: Com tudo isto não significa que não irei mais comprar nas lojas acima mencionadas (ou pelo menos em algumas delas) mas serei mais consciente na escolha das peças! Não irei comprar porque está 2€ mais barato ou porque simplesmente me apetece naquele momento...